Fonte: Ministério da Saúde, Com informações da Secretaria de Saúde de Pernambuco.

Em dois anos de atuação, o Projeto Sanar – Programa de Combate às Doenças Negligenciadas da Secretaria de Saúde de Pernambuco realizou mais de 100 mil exames de filariose, 98 mil exames de tracoma e exterminou mais de dois mil vetores de doença de Chagas, após inspeção em mais de 29 mil residências pernambucanas. Esses foram alguns dos números apresentados no 1º Seminário de Avaliação do Programa Sanar. Durante o seminário, o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, que representou o Ministério da Saúde, enalteceu os resultados do Sanar: “Precisamos estimular outros estados a tomar iniciativas semelhantes”, disse.

Com o trabalho focado em 108 municípios pernambucanos considerados prioritários, o Sanar vem reforçando as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento de sete doenças: tracoma, esquistossomose, geo-helmintíase, doença de Chagas, hanseníase, filariose e tuberculose. Todas possuem tratamento e medicamentos conhecidos, mas ainda acometem uma representativa parcela da população, principalmente a de baixa renda.

“Essas doenças foram relegadas pelas políticas públicas de saúde durante muito tempo, principalmente porque atingem uma parte da população mais carente. São enfermidades que não deveriam estar mais entre nós, em pleno Século XXI”, destacou o secretário de Saúde de Pernambuco, Antonio Carlos Figueira.

Pelo monitoramento do Programa, sabe-se que entre 101 mil pessoas examinadas para saber se elas estavam infectadas pela filariose apenas cinco tiveram resultado positivo e logo foram encaminhadas ao tratamento. Com isso, o estado já iniciou o processo de certificação da eliminação da doença junto à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No Brasil, a filariose era considerada endêmica apenas nos municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista.

No caso da doença de Chagas, foram exterminados 2,5 mil vetores, após inspeção em 29.149 residências. Por meio do Programa, também houve o aumento da oferta do exame sorológico, para confirmar os casos, nas 12 regiões do estado, agilizando o diagnóstico e, caso necessário, o tratamento. Em relação ao tracoma, 98 mil crianças foram examinadas, 2,8 mil pessoas tratadas e 175 cirurgiadas.

Efetividade – Para fazer uma avaliação real do Programa, a SES contratou, por meio de edital, uma Pesquisa de Análise da Efetividade do Sanar, mais especificamente sobre as doenças de esquistossomose e tracoma. O trabalho vem sendo realizada sob a coordenação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com visitas regulares aos municípios prioritários. Apesar de ainda em andamento, já foi feita uma pesquisa, por amostragem, em 21 municípios prioritários para tracoma, totalizando 157 escolas e 12.111 escolares, e, desse total, foram diagnosticados 602 casos positivos. Isso dá 4,68% de positividade, abaixo dos 5% preconizados pelas organizações de saúde. A pesquisa foi feita neste ano. A anterior, que contemplou os anos de 2011 e 2012, foi finalizada com 8,16% de positividade.

“No mundo, foram feitas 169 mil cirurgias por causa do tracoma. Isso signfica que, de cada 100 mil habitantes cirurgiados, um foi em Pernambuco”, afirmou o médico Luiz Augusto Facchini, da UFPel. Ele ainda ressaltou a mobilização dos vários gestores públicos e da academia para o enfrentamento das doenças negligenciadas, “advogando na defesa das populações excluídas”.

“Temos alcançado resultados positivos por meio da integração entre as secretarias de Saúde do Estado e dos municípios. Também estamos em contato constante com centros de ensino e de pesquisa, Ministério da Saúde, Opas e Associação Brasileira de Saúde Coletiva para agregar mais técnicas e experiências que possam diminuir ainda mais os índices das doenças negligenciadas em Pernambuco”, afirmou o coordenador do Sanar. O que foi ratificado pelo secretário Jarbas Barbosa, ao afirmar que tratamentos coletivos, ações efetivas de campo e a interação entre os gestores são essenciais para que os índices positivos sejam alcançados.

PRÊMIOS – Só em 2013, o Sanar já teve seu trabalho reconhecido e premiado no 49° Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 13ª Expoepi e 7º Simpósio Brasileiro de Hansenologia. Experiências exitosas do programa também são finalistas no Prêmio Saúde da Editora Abril, que será divulgado no dia 28 deste mês, e no 6º Prêmio Inovação Medical Services (Sanofi), com divulgação em fevereiro de 2014.

 

Saiba mais sobre as doenças:

Tracoma – doença infecciosa ocular que acomete a conjuntiva e a córnea, em decorrência de repetidas infecções. Ela pode provocar cicatrizes que levam à formação de entrópio (pálpebra com a margem virada para dentro do olho) e triquíase (cílios em posição defeituosa nas bordas da pálpebra, tocando o globo ocular), e alterações na córnea que pode causar até a cegueira.

Doença de Chagas – provocada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença pode se apresentar na fase aguda ou somente na forma crônica, com complicações cardíacas ou digestivas. A alteração cardíaca é a forma mais importante de limitação do portador da doença e a principal causa de morte. Já as manifestações mais comuns da forma digestiva são caracterizadas por alterações no trato digestivo (no esôfago e no cólon).

Hanseníase – a doença é representada por manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com alteração da sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Os sintomas estão relacionados ao comprometimento do nervo, podendo afetar a força muscular, a marcha (caminhar), entre outras, e até provocar deformidades físicas. Pernambuco ocupa a 3ª colocação em número de casos.

Filariose – provoca dilatação dos vasos linfáticos, podem ocasionar linfedema de membros, e/ou mamas no caso das mulheres, e hidrocele nos homens.  Erisipelas freqüentes e quilúria são outras possíveis manifestações. Pode ainda haver a evolução para formas graves e incapacitantes de elefantíase.  No Brasil, a Região Metropolitana do Recife é considerada o principal foco da doença, sendo a maior área de transmissibilidade.

Esquistossomose – doença transmissível, parasitária, causada por vermes trematódeos do gênero Schistosoma. Nos casos mais graves da fase crônica, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água.

Helmintíase – as parasitoses intestinais representam a doença mais comum do globo terrestre. Os principais sintomas são cólicas abdominais, vômitos, anemia, perda de peso, apendicite aguda, fraqueza e cansaço. O quadro clínico está diretamente relacionado com a carga parasitária e com o estado nutricional do hospedeiro.

Tuberculose – doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta, principalmente, os pulmões, mas, também pode atingir os ossos, rins, olhos, e meninges. A transmissão é direta, de pessoa para pessoa, mas somente 5% a 10% dos infectados pelo Bacilo de Koch adquirem a doença. Os casos graves apresentam dificuldade na respiração; eliminação de grande quantidade de sangue, colapso do pulmão e acumulo de pus na pleura (membrana que reveste o pulmão). Pernambuco possui uma média de 4.000 novos casos da doença por ano e 200 óbitos, ocupando o 4º lugar em incidência (números de casos novos) e o 2º lugar em mortalidade entre os Estados brasileiros.