Por: Viviane Tavares, em 6/12/2013
Fonte: 
EPSJV/Fiocruz

O nome da turma de formandos já anunciava o compromisso selado: ‘Raízes da Terra’ foi o nome escolhido pela turma de técnicos em meio ambiente com ênfase em saúde ambiental das populações do campo, que reuniu 34 representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), da Articulação Antinuclear (AAN), do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), do Movimento 21 (M21) e do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais dos estados de Alagoas, Sergipe, Piauí, Ceará, Bahia e Pernambuco. A formatura aconteceu no dia 25 de novembro, na Escola Estadual do Campo João dos Santos de Oliveira, na Comunidade de Quieto, no Assentamento 25 de maio, em Madalena (CE).

O curso foi uma parceria entre a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), o Núcleo Tramas da Universidade Federal do Ceará (UFC), a Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (Sgtes) e o Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo e da Floresta – portaria GM 2.866, de 2 de dezembro de 2011. A formação teve como objetivo principal formar trabalhadores rurais para a identificação e o enfrentamento dos principais determinantes sociais da saúde das populações do campo, fortalecendo a luta dos movimentos sociais camponeses na construção de ambientes saudáveis e sustentáveis, com ênfase nos problemas de saúde ambiental de seus territórios.

Com duração de um ano e meio e carga horária de 960 horas, as aulas foram baseadas na pedagogia da alternância – divididas em tempo escola, com aulas presenciais, e tempo comunidade, com trabalho de campo para estudo e pesquisa nos territórios de origem dos educandos, além de estágio supervisionado. O curso vem sendo planejado desde 2011 por meio de reuniões e oficinas e, ao longo de 2012 e 2013, foram realizadas as aulas. Para um dos integrantes da Coordenação Político-Pedagógica (CPP) e professor do curso, Marcelo Ferreira, foram levantadas várias questões durante a etapa de planejamento, mas, somente na prática, o curso foi se moldando ao modelo apresentado. “Somente no momento da imersão da primeira etapa pudemos entender a dinâmica para trabalhar nela. A questão da metodologia do MST, que é a pedagogia da alternância, para nós foi uma novidade, com a distribuição dos tempos, na qual o tempo aula era apenas um dos tempos educativos, levando em conta também o tempo trabalho, reflexão e cuidado que integram o processo de formação”, explicou Marcelo, que integra o Núcleo Tramas da UFC.

A integrante da CCP e do Núcleo de Saúde do MST, Rosângela Pereira, explicou que a preocupação de formação técnica em saúde e política sempre foi uma preocupação do Movimento dos Trabalhadores