Do I Encontro Nacional de Saúde das Populações do Campo e da Floresta, nasceu a base da política voltada para a saúde desses grupos, que incluem pequenos agricultores, extrativistas, quilombolas e pescadores. O II Encontro, realizado de 18 a 20 de setembro de 2013, criou a base para avaliação do plano operativo da política e reuniu indicações sobre como ela deve ser colocada em prática, a partir da experiência das populações organizadas.

E, antes do III Encontro, já se sabe que o nome da política deverá incluir menção aos povos das águas – populações ribeirinhas, pescadoras, marisqueiras – cuja presença ao lado de agricultores, extrativistas e quilombolas pode ser vista durante o evento ocorrido na semana passada, em Brasília, DF.

Para a liderança do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Judite da Rocha, as experiências apresentadas pelos movimentos sociais no II Encontro mostram que esses grupos vêm construindo práticas e propostas que respondem às necessidades de saúde da população. “O governo agora tem muitos elementos sobre como a política deveria ser implementada. As experiências trazem para o Ministério da Saúde o desafio de utilizar aquelas que deram certo com populações que têm mais dificuldade de acesso à saúde. Não precisa ficar inventando a roda”, avalia. Ela lembra também que o controle social das políticas públicas não é feito apenas com a participação em conselhos de direitos, mas com acompanhamento e cobranças nos diversos espaços de interação. Na opinião de Judite da Rocha, o pouco espaço para debate nas plenárias foi um ponto negativo do II Encontro, que concentrou a intervenção dos participantes nos Grupos de Trabalho.

Em sua fala de encerramento, Katia Souto, do Departamento de Apoio à Gestão Participativa/ Ministério da Saúde relatou que foi necessário expandir o espaço para experiências, por haverem muitas iniciativas interessantes e que tratam saúde não apenas como assistência e atendimento, mas como cidadania, qualidade de vida. “A proposta foi mostrar para poder apropriar, reproduzir em outras instâncias. Precisamos que tudo isso se expresse em nível estadual, municipal”, disse, ressaltando que “a cada encontro cresce a mobilização e participação, e também a intersetorialidade”. Estiveram na última plenária do encontro o ministério da Pesca, secretaria de Políticas para Mulheres e a Presidência da República.

O II Encontro foi organizado em torno de painéis. O primeiro tratou da promoção à saúde das populações do campo e da floresta, com ênfase nos fatores determinantes e condicionantes. Depois, estiveram em foco acesso com qualidade, experiências em saúde e em educação popular. Após os paineis, os participantes dividiram-se em grupos nos quais avaliaram as políticas atuais para a área e apresentaram propostas para a implementação da Política Nacional de Saúde Integral para as Populações do Campo e da Floresta. Na plenária final, os grupos apresentaram suas indicações.

Ao final do encontro, foi redigida uma carta sintetizando as posições dos participantes. A carta será publicada aqui em breve.