O I Encontro Internacional de Ecologia de Saberes foi encerrado nessa sexta-feira, 25 de outubro, com o planejamento para a produção do Dossiê sobre os impactos dos agrotóxicos na América Latina, que deverá ser construído até o final de 2014.

Reunindo o acúmulo de debates e experiências dos três dias anteriores – com palestras, debates e uma visitas de campo à Chapada do Apodi (CE) – cerca de 40 militantes de campanhas contra os agrotóxicos no continente e pesquisadores engajados definiram os eixos temáticos do dossiê, princípios, metodologia e agenda.

Em cada um dos países presentes – mais de um dezena – será produzido um dossiê nacional, valorizando os impactos dos agrotóxicos nos territórios.

Assim, os dossiês serão marcados pelas experiências de resistência e alternativas. Os eixos definidos prevêem também estudo das formas de regulação, monitoramento e vigilância do uso dos agrotóxicos nos países e os efeitos do modelo de desenvolvimento adotado nacionalmente sobre as populações do campo. Serão realizadas abordagens críticas sobre as formas de construção de conhecimentos.

A metodologia parte da necessidade de escutar diferentes saberes, em consonância com o conceito de Ecologia de Saberes, sem deixar de lado outros métodos que já vêm sendo usados pelos grupos, tais como a Educação Popular e a metodologia Campesino-Campesina.

Os participantes saíram comprometidos a fortalecer alianças locais com movimentos sociais e universidade. Renato Huertas, da Costa Rica, pretende reunir as escolas agroecológicas da Mesa Nacional Camponesa e organizações da Via Campesina de seu país para construir plano de traalho contra agrotóxicos. “Já temos um caminho construído, mas é necessário fortalecê-lo”. O impacto dos pesticidas sobre a população será tema de seu programa de rádio, às 7 da manhã nos domingos.
Avaliações

O Encontro, realizado em Fortaleza, Ceará, foi desafiador ao colocar em debate questões e conceitos historicamente construídos como ciência, conhecimento e participação dos movimentos sociais em espaços acadêmicos. Além disso, os participantes precisaram superar diferenças de idioma, de tempos de construção e de dinâmica entre os diversos grupos presentes.

É o que avalia Nívea Regina Silva, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e da coordenação da Campanha brasileira contra os agrotóxicos. “Cada um dos setores presentes tem dinâmicas próprias, então é desafiador, mas é importante porque vai aparar algumas arestas, historicamente construídas”, analisa Nívea.

Para a chilena Patricia Grau, da Anamuri e da Alanes, foi marcante o compromisso das organizações e pesquisadores brasileiros com o tema. Entretanto, ela sentiu falta de maior planejamento para a tradução, o que teria facilitado a compreensão dos que falam espanhol. Patrícia é uma das seis pessoas que fará parte da coordenação do Dossiê Latino-Americano. “Precisaremos de muita coordenação, saímos daqui com muitas tarefas”, disse.