O Encontro Nacional de Formação e Capacitação sobre a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA): Uma contribuição camponesa em fotos e textos:

Apresentação de trabalhos dos grupos que planejaram ação do MPA em saúde

 

 

 

 

Planejamento

Um dos encaminhamentos do encontro foi a sistematização de informações sobre os impactos dos agrotóxicos na vida dos pequenos agricultores e agricultoras. O debate sobre saúde segue firme no MPA e a proposta é ter referências para a área em todos os estados.

 

 

 

 

 

 

Saúde do Trabalhador

A professora de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília, Graça Hoefel, provocou debates sobre saúde de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ela definiu saúde como acesso a boas condições de vida, com acesso a terra, à alimentação e a trabalho.  ”Não dá pra falar de saúde do trabalhador desvinculada do processo de determinantes sociais de saúde e doença”, disse. Ela abordou as diversas crises que enfrentamos no planeta – ambiental, energética e, em muitos países, também econômica- e seus efeitos na saúde dos trabalhadores.

Damião Rodrigues, de Poço Redondo, Sergipe, lembrou dos desafios colocados para o povo que trabalha no Rio São Francisco: “O povo ribeirinho tem sofrido muito no baixo São Francisco. Ali foram instaladas várias hidrelétricas e a população perdeu lavouras de arroz, vive o sumiço de espécies de peixe. No interior, pouco vemos condições de sobreviver. Pais não ensinam mais filhos a pescar porque não vêem formas de sobrevivência”, contou.

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Estudo da PNSIPCFA:  divulgação ainda é o grande desafio

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A quinta feira começou com período de estudo do texto da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas.

Damião Rodrigues é agente de saúde em um município sergipano em que o Programa de Saúde da Família é 80% rural, e nunca tinha ouvido falar da PNSIPCFA em sua cidade. No encontro, ele destacou a necessidade de divulgação da política a gestores, movimentos sociais e sociedade em geral. Os grupos que estudaram a política nacional foram unânimes:  ela não está presente nos postos de saúde, municípios, estados.

O grupo reunido mostrou cuidado para não confundir saúde com tratamento em saúde. “Mais hospitais, mais médicos, não são a única solução. Temos que pensar de que forma as pessoas estão adoecendo, do que estão adoecendo: o que estão comendo. Os governos precisam de politicas que incentivem alimentação saudável para que não volte ao hospital. Nem população nem governo estão preparados para isso.”, avalia Valmir, do Espírito Santo.

Alyne, também capixaba, lembrou que “saúde não é tratar só uma parte do corpo, não é remédio, envolve alimentação, envolve tudo”. Ela defendeu que a PNSIPCF valorize formas de cuidado não alopáticas, que percebam o corpo como um todo, e não centradas nos remédios, como a homeopatia e os conhecimentos tradicionais.

 

 

 

Saúde no MPA

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A ação sobre temas de saúde começou no MPA com a preocupação com a continuidade e valorização das formas populares de cuidado em saúde. O MPA esteve presente, entre 2004 e 2005, nas articulações que levaram demandas e necessidades das populações do campo e da floresta para o Ministério da Saúde, que abriu espaços para o tema e criou o Grupo da Terra. O debate sobre agrotóxicos ganhou força a partir de 2008. Em 2010, no 3º Encontro Nacional do Movimento, foi lançada a Campanha contra os Agrotóxicos, hoje Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida.

 

 

 

Carta do Encontro

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No encerramento, leitura da carta produzida pelos participantes do encontro.

Carta de Compromisso com a Saúde – MPA

Nós, camponeses e camponesas de 14 Estados da Federação, organizados no Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, nos reunimos em Luziânia-GO de 23 a 25 de abril de 2014 para amadurecer o nosso debate em torno do tema da saúde.

Compreendemos que falar de saúde não é simplesmente falar das formas de enfrentamento às doenças, mas sim de instrumentos e mecanismos de promoção da saúde: que por sua vez passam pelo cuidado com a terra, com as plantas, animais e com as pessoas, pela preservação e conservação das sementes crioulas, pela conservação das águas e dos demais recursos naturais, pelo cuidado e promoção da vida em todos os seus aspectos. O debate sobre a saúde compreende também, o combate ao uso indiscriminado de agrotóxicos e à indústria da doença, que só beneficia as grandes corporações transnacionais, bem como pela superação da conivência de setores do Estado aos interesses dessas corporações.

Assim, vemos o conceito de saúde de forma mais ampla, vinculada às questões ambientais, culturais, socioeconômicas e políticas presentes no conjunto da sociedade.

Afirmamos nosso compromisso com políticas alternativas de promoção da saúde, oriundo das práticas do conhecimento tradicional e camponês, tais como o uso das plantas medicinais, as benzeduras, a homeopatia, a bioenergia e etc.

Assumimos o compromisso de seguir lutando e exigindo do Estado, a implementação de políticas públicas como: a Política Nacional de Saúde Integrada das Populações do Campo, das Florestas e das Águas; a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e a Política de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, buscando fortalecer o Sistema Único de Saúde na corresponsabilidade de seguir contribuindo na construção de mecanismos de controle social com participação popular.

Desafiamos-nos a seguir construindo este debate para dentro do MPA e assim, reproduzi-lo em todos os espaços das quais participamos, compreendendo como importantes, o Grupo da Terra, o Observatório da Política, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, o Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, o Consea, entre outros.

Além disso, coloca-se como desafio a construção interna de espaços organizativos que possam dar uma continuidade sistemática à reflexão em torno da saúde, buscando sistematizar nossas experiências, a elaboração de propostas e promovendo outras iniciativas.

Luziânia, 25 de abril de 2014.