Em maio de 2014 divulgamos o relatório com dados secundários sobre saúde das populações do campo, floresta e águas. Os dados são oriundos de diversos sistemas de informação do Ministério da Saúde.

Neste mês de março de 2015, lançamos uma nova versão do relatório contendo dados sobre a saúde da mulher que vive no campo, floresta e em regiões de águas doces e salgadas. O estudo foi realizado por Rackynelly Alves, epidemologista do Obteia (acesse aqui).

No relatório, as informações analisadas são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Suplemento de Saúde realizado no ano de 2008. A variável observada nesta base de dados é a situação de domicilio:  rural.
Do total de mulheres entrevistadas, 70,3% autoavaliou sua situação de
saúde como “muito bom” e “bom”. Quanto a isso, a região Norte (72,2%)
apresentou o maior percentual e a sul a menor (68,1%) (PNAD, 2008).
Quanto à realização de consultas médicas nos últimos 12 meses, 68,7% das
mulheres entrevistadas responderam afirmativamente. Sendo que 13,3%
realizaram consultas nas duas últimas semanas (PNAD, 2008).

Comparando com a PNAD de 2003, percebe-se um aumento no acesso dessas mulheres aos serviços de saúde, naquele ano, 61,2% realizaram consultas nos últimos 12 meses.
Cabe ressaltar, que mesmo havendo essa melhoria de acesso aos serviços
de saúde, boa parte dessas mulheres afirma nunca terem realizado exames
importantes na prevenção do câncer, em especial na detecção precoce do câncer de mama.
Partos normais em mulheres residentes em área rural que procuram estabelecimentos de saúde são mais frequentes que entre mulheres residentes em área urbana. Segundo a PNAD suplemento de saúde de 2008, todos os parto das mulheres residentes em área rural foram financiados pelo SUS, tanto os normais, quanto os cesáreos.
Dados do Ministério da Saúde/SVS/SINASC apontam que em 2009 apenas
1,04% dos partos ocorreram em domicílios. Dentre estes, Acre (11,22%)
apresentou o maior percentual, em seguida Roraima (9,46%) e Amazonas
(7,53%). Os partos domiciliares ocorrem, na maioria das vezes, em lugares de difícil acesso como àqueles em que vivem a população aqui estudada.
No período de 2010 a 2012 foram registrados no Brasil pelo SINAN
367.435 casos de violência doméstica, sexual e/ou outras violências, sendo que desse universo 66% foi contra a mulher (rural e urbana). No rural, o SINAM registrou 20.022 (5,45%) casos entre 2010 e 2012 em todo rural brasileiro. O comportamento desse agravo foi bem semelhante àquele
vivenciado pelas mulheres urbanas, os quais apontam que 63,5% dessa violência foi praticada contra a mulher.