Reunidas nessa ultima semana entre os dias 14 a 16 de janeiro em Brasília o coletivo nacional de Gênero do MPA, militantes pautaram a necessidade de estudar, valorizar e divulgar a presença da mulher camponesa na economia, além do debate o coletivo também pautou  e encaminhou ações para os próximos períodos.

Fruto do trabalho específico com as mulheres, da realização de feiras de produtos agro ecológicos, da venda para o PAA e demais atividades onde percebe-se a presença das mulheres em todo o processo da produção, desde o plantio, na manipulação, organização da produção que vai para a mesa das famílias camponesas e para comercialização.

Histórica e culturalmente são as mulheres que assumiram o trabalho em torno da casa, cuidado, produção e garantia da alimentação, que é um trabalho não remunerado, que “não gera renda”.

Com o advento da luta feminista, do debate da igualdade de gênero, algumas organizações camponesas, e entre elas o MPA passa a ter olhar diferente para esta tarefa, que sem desmerecer a importância, a relação estabelecida é uma das bases da desigualdade de gênero.

Não reconhecer este trabalho (doméstico) como parte da economia condiciona quem o faz a estar numa “posição inferior”, bem como os demais elementos usados para discriminação e relação de poder dos homens sobre as mulheres, relação de propriedade, superioridade. Gerando além da discriminação, a invisibilidade do trabalho, não reconhecimento, e muitos casos de violência.

Um prova histórica disto foi a demora no reconhecimento da profissão de agricultora, e até hoje problemas com a titularidade em documentação de terra, bloco de produtor(a), DAP e o que impede ou dificulta o acesso as políticas públicas.

Após o estudo, debate que trouxeram os estes elementos, foi discutido como fazer para tornar este debate comum no Movimento, nas demais instancia nacionais até os Grupos de Base, bem com toda a sociedade.

O dia 08 de março  é um dos períodos em que vamos priorizar a mobilização das mulheres na denúncia do modelo patriarcal e capitalista, do agronegócio e suas consequências sociais e ambientais… e o anúncio da proposta e das experiências que a classe trabalhadora desenvolve em contraposição a este modelo. Em todos os estados onde o MPA está organizado serão feitas mobilizações e ações em torno do dia Internacional de luta das Mulheres, o 08 de março.

Existem materiais de sistematização de experiências da organização produtiva, que vão desde as feiras, do trabalho com resgate e formação na área de plantas medicinas, sementes (produção, multiplicação, resgate de variedades), alfabetização, relatos de mulheres e a convivência com o semiárido… que o  Movimento de Pequenos Agricultores vem fazendo nos estados. A organização, impressão e divulgação deste material é outro encaminhamento tirado nesta reunião.

Estes matérias vão deste, textos, fotos, filmagens, poesias, bem como o livro lançado em abril de 2013 pelo MPA: “Mulheres camponesas: trabalho produtivo e engajamento político” que faz parte da coleção História Social do Campesinato.

Outro encaminhamento da reunião foi o levantamento de temas prioritários que precisam ser aprofundados na perspectiva feminista e camponesa, são eles: saúde, educação, previdência,  comunicação, participação nas definição econômicas, alimentação e produção.

No ano de 2013, o Movimento realizou sua  I Escola Feminista, e agora aponta para realização da segunda que deve acontecer em novembro de 2014, onde são aprofundados conceito de feminismo, história e temas que afins,  relacionados aos apontados acima como prioritários.

A participação de mulheres do Movimento em grupos, articulações e espaços que trabalhem além da questão de gênero, participação da mulher na saúde (principalmente a alternativa e natural), agro ecologia, produção, educação, previdência, também é uma orientação do coletivo.