Fonte: http://cbhsaofrancisco.org.br

Mais uma caravana agroecológica ocorreu entre os dias 26 e 30 de junho. Desta vez, para percorrer os diferentes mundos e contrastes vividos e sentidos no semiárido baiano, pelos caminhos das águas do rio São Francisco. O encontro com o objetivo dar visibilidade a denúncias, conflitos e experiências de resistência e organização das comunidades, começou na cidade de Juazeiro, no norte da Bahia, onde o grupo foi dividido em dois com destino aos municípios de Campo Formoso e Jacobina e o outro que percorreu as comunidades das cidades de Casa Nova, Remanso e Campo Alegre de Lourdes.

A “Caravana Agroecológica do Semiárido Baiano: nos caminhos das águas do São Francisco” contou com a participação de 70 pessoas e percorreu seis municípios. Representantes de 26 organizações dos âmbitos federal e estadual atuantes na região do Submédio São Francisco, além de pesquisadores, estudantes, técnicos e integrantes de movimentos e entidades populares participaram de mais uma experiência na região do semiárido baiano.

Representando o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Almacks Luiz Silva, ressaltou a necessidade de se conhecer de perto as comunidades e suas vivências. “O encontro é positivo porque possibilita que pessoas de diferentes regiões conheçam as bacias do dos rios Salitre e São Francisco”, comenta.

Ao todo, foram visitadas 17 localidades, entre elas as comunidades tradicionais, quilombolas e pescadores sob a perspectiva de eixos orientadores que visaram os impactos da mineração, conflitos fundiários e por água, impacto do uso de agrotóxicos, experiências agroecológicas e resistências comunitárias. “Nos três dias em campo, levantamos as denúncias e anúncios de experiências de convivência. A percepção geral das pessoas é que em pouco tempo conseguimos visitar situações distintas verificando o sofrimento dos povos, risco de perda identitárias nesse processo em que seu território é ameaçado. Também reconhecemos a força existente nesses locais, como as mulheres que são muito ativas nesses territórios. Podemos dizer que o processo como um todo foi rico de aprendizado com destaque para troca de saberes”, avaliou o sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e integrante da coordenação da Caravana, André Búrigo.

A realização das caravanas agroecológicas acontece por todo o Brasil, desde 2013, como estratégia de mobilização de diferentes atores sociais. “Lidamos com questões de saneamento ainda de forma desorganizada do ponto de vista público, sabemos que na área urbana o serviço é precário, mas na zona rural é ainda pio. Por isso, precisa-se pensar em ações efetivas para ajudar essas pessoas”, pontuou Amilton Mendes de Oliveira, da cidade de Jacobina.

Como resultado da caravana, foi elaborada preliminarmente uma carta política que será finalizada nos próximos dias apontando as urgências do semiárido baiano. “Dizemos que a caravana nunca acaba. Temos uma atuação e trabalho constante. Ao final dessa jornada elaboramos uma carta política no sentido de denunciar a apontar essas agressões encontradas”, explicou a professora universitária Sheila Bedor. Além da carta, também será confeccionado relatório que deverá ser finalizado em alguns meses.