O Movimento dos Pequenos Agricultores entende que saúde é fruto da garantia de soberania alimentar e de vida de qualidade para os camponeses, camponesas e para a população das cidades. Saúde depende da valorização dos conhecimentos ancestrais que têm proporcionado, desde há muito tempo, os cuidados a quem vive e trabalha no campo. Mas o debate sobre saúde passa também por assegurar acesso à saúde pública de qualidade, em prazos aceitáveis, com respeito às diferenças e às necessidades de quem vive no campo. Todos esses temas estiveram em pauta no encontro do movimentos sobre saúde. De 23 a 25 de abril, os participantes reunidos em Brasília refletiram também sobre a continuidade da ação do MPA na Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, iniciada pelo movimento em 2010 e que hoje reúne um conjunto amplo de organizações da sociedade.

O encontro terminou com a redação de uma carta que sintetiza os diálogos de três dias (Saiba mais e conheça o texto da carta).

Para Filomena Zamboni Schlegel, representante do MPA no Grupo da Terra, o encontro é avanço político porque permite ter uma visão geral dos desafios para a saúde em todo o país e o entendimento de que regiões vivem situações parecidas. “Conseguimos visualizar novos parceiros na esfera regional, estadual, nacional”, avalia. Nesse contexto, a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas (PNSIPCFA) é vista como uma possibilidade de alcançar acesso à saúde pública, respeitando as especificidades do campo. A efetivação a política, entretanto, ainda está em curso. E estão colocados desafios de divulgação para gestores, trabalhadores em saúde e para as populações do campo.

Filomena lembra que as questões discutidas são importantes para a melhoria da saúde no campo, mas também nas cidades. “A partir do momento que trabalhamos a produção de alimentos no âmbito da agroecologia, temos preocupação também com a saúde de quem vai consumir os alimentos”, diz. Agroecologia é, para o MPA, uma opção política e faz parte do questionamento ao uso desenfreado de agrotóxicos, que adoecem os trabalhadores do campo e terminam por beneficiar apenas as empresas transnacionais. “O uso dos venenos é agressivo ao ambiente, à saúde, só visa lucro para algumas empresas e não está preocupado com a vida”, critica.

“No espaço de vida que tenho em Ibituruna, Paraná, tem pontos positivos e negativos. Positivo é produzir sem veneno, temos vida de qualidade, alimento saudável, água pura, ficamos menos doentes. Mas temos dificuldade de acesso à saúde pública de qualidade, quando precisa de atendimento tem dificuldade desde o posto [de saúde]. O agendamento para médicos especialistas demora quatro, seis meses. Exames são difíceis, resultados demoram meses para chegar.”
Filomena Terezinha Zamboni Schlegel, representante do MPA no Grupo da Terra