“Pesquisar com” e a Ecologia de Saberes

Um relato de posdoutoramento


Foto: Bernardo Vaz, Casa José de Alencar da Universidade Federal do Ceará

Fernando Ferreira Carneiro — Pesquisador da Fiocruz Ceará e Núcleo de Estudo de Saúde Pública da Universidade de Brasília.

Boaventura de Sousa Santos Supervisor — CES/Coimbra — Projeto Alice

Prólogo ao relato

Acho que os relatos científicos deveriam ser lidos como os livros de romance.

Por isso decidi escrever um relato para ser lido, ou melhor, que permitisse uma viagem pelas vivências descritas para um grupo de leitores que vai além da minha área de conhecimento ou de meus pares, com foco no ano de 2014.

Isso já ajuda explicar a seleção do formato web…que permite o uso e abuso de imagens, filmes, links e etc…e nos estimula a pesquisarmos e aprofundarmos o que nos interessa no relato de forma mais dinâmica.

Já alerto ao leitor que os produtos científicos, stricto sensu, do posdoutoramento, não estão aqui, estão apenas referenciados para acesso. Eles foram desenvolvidos em outras linguagens e formatos, como artigos científicos já publicados e em elaboração, fruto desse fértil período de vinculação com o CES/Coimbra, Projeto Alice e a UPMS.

Descobri a ferramenta “Medium” para ajudar nessa tarefa ao ler um relato sobre o Congresso Nacional do MST de 2014, enviado pelo colega Alan Tygel do Movimento. Como, por enquanto, tudo é fácil e gratuito achei a ferramenta muito interessante.

Boa leitura!!

“Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, só que um passarinho me contou que somos feitos de histórias.” (Eduardo Galeano)

Sumário

1. Como nasceu a ideia do pós doutoramento no CES?

2. O começo do pós doutorado

3. A prática do pesquisar-com e a Ecologia de Saberes

4. A pesquisa de campo no OBTEIA: como fazer — métodos e técnicas

5. Produtos finais

6. Agradecimentos

7. Bibliografia

8. Notas autobiográficas

1. Como nasceu a ideia do pós doutoramento no CES?

Agroecologia, saúde e justiça Ambiental, soberania alimentar, economia solidária e feminismo. Como estes temas estão relacionados? Que iniciativas há nestas áreas? Quais são os nossos desafios na construção e defesa de um outro modelo de desenvolvimento? E o que temos a nosso favor neste processo? Foram estas e outras questões que me motivaram a participar do processo de organização do Encontro Nacional de Diálogos e Convergências: agroecologia, saúde e justiça ambiental, soberania alimentar e economia solidária.

Nesse Encontro, havia vários movimentos que lutavam historicamente por pautas afins, mas de forma desintegrada na maioria das vezes. A idéia do encontro era justamente potencializar a articulação, desde os territórios, dos diferentes movimentos sociais e redes na luta por outro modelo de desenvolvimento. Fui convidado para participar do processo de organização do encontro como representante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Nesse momento me deparei com um primeiro desafio. A ABRASCO possui mais de 17 grupos temáticos e 4 comissões que não atuavam de forma integrada no seu cotidiano. Como membro do GT de Saúde e Ambiente avaliei a necessidade do envolvimento de outros GTs em função da amplitude do tema. Essa necessidade nos inspirou para um processo de dialogo interno que gerou um grupo inter-GTs da ABRASCO que participou do evento com as contribuições de outros GTs como o de Educação Popular, Promoção da Saúde, Segurança Alimentar e Nutricional e da Saúde do Trabalhador.

Encontro Nacional de Diálogos e Convergências:
um espaço para unir experiências em defesa de um modelo soberano e justo para a vida no planeta

A Carta Política está disponível no site:

Ao conhecer o teor da Carta final do evento, Boaventura de Sousa Santos convida o grupo que organizou para participar das três oficinas da Universidade Popular dos Movimentos Sociais em Porto Alegre no Fórum Social Temático “Justiça Social e Justiça Ambiental” em Janeiro de 2012, realizado no Rio Grande do Sul.””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””””