por Fernando Ferreira Carneiro

Os protestos de junho de 2013 pressionaram a agenda política brasileira para que a saúde, a educação e a mobilidade urbana fossem temas a serem priorizados. O descompasso com a agenda do Congresso Nacional ficou evidente, como ocorreu com as mudanças no Código Florestal ou as tentativas de liberalizar a regulação dos agrotóxicos. A partir desse fato ficou patente a necessidade de uma Reforma Política que pudesse mudar o sistema brasileiro que fez do legislativo um espaço de hegemonia das bancadas ruralista, empresarial, evangélica dentre outras. Poucos trabalhadores são representados lá hoje. O Plebiscito pela Reforma Política é o mais claro exemplo onde milhares de brasileiros expuserem seu desejo de mudança na forma de se fazer política no Brasil.

Mas o que podemos dizer sobre o que está acontecendo hoje no debate eleitoral em relação a saúde no campo e na floresta?

A iniciativa do Programa Mais Médicos virou um dos focos das atenções, pois se tornou a ação mais evidente do Governo Dilma frente ao desafio do acesso a saúde nas áreas mais remotas do país. Nos debates se discutem estratégias para atrair mais médicos brasileiros para essas regiões, a necessidade de se estimular a formação médica para atuar frente as necessidades do SUS e não prioritariamente para o mercado.

Outra tema importante foi a saída do Brasil do Mapa da Fome mundial da ONU(http://www.fao.org/3/a-i4030e.pdf). Isso mostra os resultados de algumas políticas públicas voltadas justamente para as populações rurais, pois a fome ainda se concentra nessas regiões, principalmente nas áreas de grande latifúndio.

Avaliamos que o Mais Médicos representa melhora no acesso ao SUS, mas para atuarmos sobre a determinação social na saúde ainda vamos precisar de muitos Mais Saneamento Rural, Mais Agroecologia, Mais Soberania Alimentar e Mais Reforma Agrária! Essa são alguns dos temas que devemos cobrar de nossos candidatos no debate eleitoral.