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Mesa-redonda coloca em debate agronegócio, saúde e meio ambiente

De um lado, os avanços do agronegócio brasileiro. De outro, os impactos à saúde e ao meio ambiente causados pelo uso dos agrotóxicos. O embate gerou uma rica discussão no Auditório Jatobá na quarta-feira, 17, durante a Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) no Campus Rio Verde. A mesa-redonda teve início com a exposição do chefe-geral da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Elenor Wander, que mostrou à plateia um panorama do agronegócio brasileiro no que se refere à pesquisa, à tecnologia e à inovação, bem como o reflexo desses investimentos na economia do País. De acordo com Wander, ao investir na “agricultura baseada em ciência”, o Brasil aumentou sua produtividade nas últimas décadas e tem hoje uma produção intensa e bastante diversificada. “Somos um gigante mundial do agronegócio”, resume. Entre os benefícios que tais títulos trouxeram aos brasileiros, o profissional citou alguns Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) – que têm como parâmetros a educação, a renda e a saúde da população. De acordo com ele, esses indicadores melhoraram nas cidades cuja principal atividade econômica são a agricultura e a agroindústria. Outra informação relevante trazida pelo pesquisador foi que o custo da cesta básica no País caiu pela metade nos últimos anos. “Na década de 70 não havia produção de alimentos suficiente e os preços, naturalmente, eram mais altos”, justifica. Além disso, o Brasil possui um mercado interno expressivo e, com isso, não depende somente das exportações. Essas conquistas ocorreram, conforme o chefe da Embrapa, pela atuação do Estado como agente público na agropecuária. “Por meio da pesquisa pública, transformamos solos pobres em áreas produtivas”, explica, exemplificando que a soja era uma cultura do Sul do Brasil e hoje é produzida [...]

Por |30/05/2018|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em Mesa-redonda coloca em debate agronegócio, saúde e meio ambiente

A Primavera Silenciosa brasileira

Uma comissão especial do Congresso Nacional criada para analisar o chamado “PL do veneno” (Projeto de Lei 6299/02) irá votar um relatório que poderá significar o desmonte do sistema normativo regulatório de agrotóxicos brasileiro. Há 60 anos atrás Rachel Carson, uma bióloga norteamericana publicou a Primavera Silenciosa. Seu livro representou um marco no despertar do ecologismo político ao desnudar publicamente os efeitos nocivos de uma tecnologia transplantada da indústria bélica para a agricultura e que se disseminou globalmente após a Segunda Guerra Mundial, com o projeto político ideológico da Revolução Verde. A Lei de agrotóxicos do Brasil, de 1989, trouxe medidas mais restritivas para o registro dessas substâncias, pois anteriormente era muito facilitada a entrada dessas substâncias tóxicas no país. Mesmo assim, até os dias de hoje perduram isenções fiscais concedidas pelos governos aos venenos chegando em alguns estados a 100% de isenção de impostos e a vinculação entre a obtenção de crédito agrícola por parte dos agricultores à compra obrigatória de agrotóxicos. Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2000 a 2012, ocorreu um aumento de 160% na comercialização de agrotóxicos e uma ampliação de apenas 19,5% na área plantada nesse período, o que inclui a entrada de transgênicos na agricultura brasileira cujo argumento era que iria diminuir o consumo de agrotóxicos. Isso tem colocado o Brasil nos primeiros lugares de consumo de agrotóxicos no mundo e na contramão de tendências de redução de uso existentes na Europa e até mesmo na China. Num mundo de jogo de palavras a Bancada Ruralista declara que o objetivo do “PL 6299/02” é de contarmos com “alimentos mais seguros”, vamos “modernizar a legislação”, mas uma das propostas centrais é nos proibir de chamar os agrotóxicos de “venenos” [...]

Por |16/05/2018|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em A Primavera Silenciosa brasileira

Assassinatos no campo batem novo recorde e atingem maior número desde 2003

Via: CPT A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulga hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo no Brasil em 2017 – o maior número desde o ano de 2003. A CPT também denuncia ataques hackers que sofreu no último ano, provavelmente dentro do processo de criminalização contra as organizações sociais que tem se intensificado, e que acabou impossibilitando a conclusão e o lançamento nessa data de seu relatório anual, o “Conflitos no Campo Brasil”. Confira, também, o material em inglês e em espanhol: EN - SUGGESTED GUIDELINE - Murders in the countryside hit a new record and reach the highest number since 2003  ES - SUGERENCIA DE PAUTA -Asesinatos récord en el campo con el mayor número desde 2003 Mesmo com o atraso em sua publicação, a CPT torna públicos hoje os dados de assassinatos em conflitos no campo ocorridos no ano de 2017. Novamente esse tipo de violência bateu recorde, e atingiu o maior número desde 2003, com 70 assassinatos (confira aqui a tabela). Um aumento de 15% em relação ao número de 2016. Dentre essas mortes, destacamos 4 massacres ocorridos nos estados da Bahia, Mato Grosso, Pará e Rondônia. Destacamos, ainda, a suspeita de ter ocorrido mais um massacre, de indígenas isolados, conhecidos como “índios flecheiros”, do Vale do Javari, no Amazonas, entre julho e agosto de 2017. Seriam, pelas denúncias, mais de 10 vítimas. Contudo, já que o Ministério Público Federal no Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), não chegaram a um consenso, e diante das poucas informações a que a CPT teve acesso, por se tratar de povos isolados, o caso não foi inserido na listagem por ora apresentada (Confira aqui a política e regras de uso dos dados da CPT). A CPT ressalta, [...]

Por |17/04/2018|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em Assassinatos no campo batem novo recorde e atingem maior número desde 2003

DOSSIÊ: VIOLAÇÕES AOS TERRITÓRIOS TRADICIONAIS E CRIMES CONTRA AS ÁGUAS

DOSSIE - AGUAS - FAMA 20mar2018 - versao FINAL - sandra Veja o dossiê elaborado durante o Fórum Alternativo Mundial da Água pelos  Povos Originários e Comunidades Tradicionais do Brasil.

Por |21/03/2018|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em DOSSIÊ: VIOLAÇÕES AOS TERRITÓRIOS TRADICIONAIS E CRIMES CONTRA AS ÁGUAS

População rural do Brasil é maior que a apurada pelo IBGE, diz pesquisa

Via: Agência Brasil Pesquisa apoiada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário calcula que 36% da população brasileira é rural, diferentemente dos cerca de 16% apontados pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual maior considera a aplicação de um conceito de rural defendido pelos pesquisadores. De acordo com o levantamento, como só existe o conceito de urbano na legislação, a ruralidade acaba sendo definida por exclusão. A pesquisa é uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura, o Ministério do Planejamento e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e foi apresentada hoje (9), na primeira edição do Diálogos sobre o Brasil Rural, evento destinado ao debate de temas relacionados ao setor. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, participou da abertura do evento, que terá outras edições. O  ministro  Patrus  Ananias  participa de debate. Foto: Antonio Cruz/Agencia Brasil   Segundo a coordenadora da pesquisa Repensando o Conceito de Ruralidade no Brasil: Implicações para as Políticas Públicas, Tânia Bacelar, é essencial ter a compreensão certa do que é o mundo rural para o desenvolvimento adequado de políticas públicas para os moradores dessas regiões. ”Há uma carência de políticas públicas nos territórios rurais. Embora tenha tido uma melhora, ainda é insuficiente, e isso talvez se deva à ideia de que o rural está se extinguindo”, disse a pesquisadora. Tânia explicou que a pesquisa tenta identificar o que é o Brasil rural de hoje e mostrar que, muitas vezes, as políticas públicas desenvolvidas para quem vive em cidades não são adequadas para quem vive no campo. “O Brasil do século 20 tentou ser mais urbano e ter uma economia industrial. Isso [...]

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Atlas: Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia

Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia Larissa Mies Bombardi Laboratório de Geografia Agrária FFLCH - USP, São Paulo, 2017. Este Atlas é resultado de um trabalho intenso que vem sendo desenvolvido nos últimos três anos, e toda a parte técnica de cartografia e de design foi realizada solidariamente. ​ A ideia é que as informações aqui contidas possam circular e possam ser um importante instrumento de conscientização e, também, de suporte para políticas públicas que envolvam a proteção da população exposta aos agrotóxicos. Acesse aqui: https://drive.google.com/file/d/1ci7nzJPm_J6XYNkdv_rt-nbFmOETH80G/view ​

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Em carta, movimentos sociais questionam utilização da “água como mercadoria que promove carência, doença e morte”

Via Comissão Pastoral da Terra “O povo sabe que precisa de um modo de convivência que promova o Bem Viver e aponte para a Terra Sem Males. Este processo será construído democraticamente desde as comunidades autogestionárias até o nível nacional e além”. Os participantes do seminário “A água na perspectiva do Bem Viver”, organizado pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS) e pelo Movimento de Educação de Base (MEB), divulgaram carta onde questionam o atual modelo “desenvolvimentista” que privatiza a água a grandes projetos. “A água como mercadoria concentra lucros e promove carência, doença e morte”, aponta o texto. “Megaprojetos limitam o acesso das populações à água, reduzem ou eliminam os territórios pesqueiros, privatizam, poluem os lençóis freáticos e salinizam as águas”. Imagem: Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social Na última semana, de 16 a 18, representantes de movimentos e pastorais sociais se reuniram em Brasília (DF) para socializar informações sobre os biomas e construir estratégias para construção de um projeto de Bem Viver. Entre as ações repudiadas pelo grupo está o Fórum Mundial da Água (FMA), marcado para 18 a 23 de março de 2018, em Brasília. Segundo o texto, a iniciativa não oferece soluções efetivas “nem para a crise hídrica, nem para as mudanças climáticas”. “Governantes, grandes empresários e banqueiros têm apresentado falsas soluções, que mascaram sua responsabilidade pelo problema”. Paralelo ao evento patrocinado por multinacionais, na luta contra a farsa ambiental do FMA, propõe-se o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) Na carta divulgada no final do encontro, 50 organizações questionam iniciativas que utilizam dos recursos hídricos para o lucro “e causam morte de habitats, o biocídio e o hidrocídio”. “A expansão monopólica dos bancos privados na financeirização e no [...]

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Curta “Insurgência”

O que leva 10 mil pessoas às ruas de Correntina (BA)? Insurgência, é um filme que proporciona um mergulho de 5 minutos na manifestação do dia 11 de novembro de 2017 contra a omissão do poder público diante da exploração de água pelo agronegócio no oeste baiano Em meio às palavras de ordem e cartazes em defesa do Rio e das águas, uma grito transborda: "não somos terroristas". Uma reação à forma como a grande mídia repercutiu o ato realizado dia 2 de novembro que destruiu equipamentos de captação de água e irrigação de 2 fazendas na região. Para os manifestantes não há mais tempo para esperar o Estado agir. Não há mais paciência para negociar com órgãos ambientais que em meio à crise hídrica permitem que essas 2 fazendas explorem 183 mil metros cúbicos/dia. Este volume de água seria suficiente para abastecer por dia mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do Semiárido. Tudo isso é ainda mais grave quando consideramos a situação do rio São Francisco com barragens nos menores níveis da história. Veja o Vídeo: https://youtu.be/iFTosuHoiw0

Por |14/11/2017|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em Curta “Insurgência”

Convite para o lançamento do COMITÊ DE EQUIDADE E EDUCAÇÃO POPULAR EM SAÚDE DE PERNAMBUCO , hoje às 14h.

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QUAL A RELAÇÃO ENTRE SANEAMENTO E AGROECOLOGIA?

Publicado por Bernardo Vaz no site do Departamento de Engenharia Ambiental e Sanitária - DESA/UFMG                 Os trabalhos de campo e as oficinas de construção do Programa Nacional de Saneamento Rural vêm apontando inter-relações importantes entre a agroecologia e o saneamento nos territórios camponeses e tradicionais. Em alguns contextos chega a ser difícil separar uma coisa da outra. Apesar disso, é raro encontrar estas duas palavras em um mesmo texto, seja um artigo acadêmico, um livro ou o documento de um programa ou política pública. Para chamar a atenção sobre essas relações, partilhamos alguns olhares sobre o tema. Como disse Diego, menino de O livro dos abraços de Eduardo Galeano: “me ajuda a olhar”.   Lara Braga Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) pela Universidade Federal do Ceará (UFC). “As bases conceituais da agroecologia, em suas dimensões técnico-científicas e sociais, possibilitam e aprofundam o debate das tecnologias sociais enquanto alternativas locais em consonância com o lugar e os modos de vida, especialmente, de populações rurais. O marco teórico já consolidado dessa ciência, que também é movimento e, portanto, dinâmico, o faz atualizado, mas, também, necessário quando adentramos na questão do saneamento, especialmente em áreas rurais. Por exemplo, estamos vivendo uma crise hídrica no Ceará e os reservatórios continuamente sendo exauridos. É preciso pensar saneamento em uma perspectiva ampliada e complexa, compreendo os interesses por trás dos projetos hídricos que não só têm ampliado os sulcos das iniquidades sociais, mas, paradoxalmente, reduzido drasticamente a capacidade de recarga das águas superficiais e subterrâneas. Ou seja, as próprias estratégias desenvolvidas de abastecimento acabam com o próprio recurso. Ao buscar o diálogo da agroecologia e saneamento, possibilitamos o [...]

Por |8/11/2017|Notícias sobre Saúde do Campo e da Floresta|Comentários desativados em QUAL A RELAÇÃO ENTRE SANEAMENTO E AGROECOLOGIA?