Agricultores de 13 estados estão reunidos para discutir  a política nacional voltada para a saúde das populações do campo e planejar a intervenção do Movimento dos Pequenos Agricultores neste tema. A reunião começou nesta quarta-feira, 23 de abril, e segue até a sexta, 25, nos arredores de Brasília, DF.

Um dos momentos do  encontro foi a  apresentação da situação atual da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Floresta e Águas por representantes  do Ministério da Saúde. Criada em 2011, esta política é fruto de anos de debate no Grupo da Terra, um espaço vinculado ao Ministério da Saúde com participação dos movimentos do campo preocupados com a garantia de saúde pública de qualidade para camponeses e camponesas, quilombolas, ribeirinhos e outras populações rurais. A política trata não apenas do acesso à saúde, mas também da valorização das práticas populares e tradicionais de cuidado com a saúde que, por vezes, são os principais recursos da população do campo.  (Saiba mais sobre a Política Nacional e sobre seu plano operativo)

No debate,  com o Ministério da Saúde apareceram diversos elementos de reflexão sobre a  implantação da política por meio do Sistema Único de Saúde (SUS): como se pensa a ação do SUS na valorização do trabalho de benzedeiras, plantas medicinais, fitoterápicos e outras ações realizadas pelas populações ou no interior dos movimentos? Como se avança na implantação da política? As práticas populares devem ser institucionalizadas? Até que ponto? Como garantir o esforço dos governos estaduais e municipais? Como envolver secretarias de saúde e trabalhadores em saúde? Como garantir infra-estrutura? Quais os principais entraves burocráticos para que a política chegue até as populações do campo?  Essas questões começaram a ser discutidas e seguem na pauta dos próximos dias, segundo Marciano Toledo da Silva, do MPA Brasil e da coordenação da Campanha Permanente contra os agrotóxicos.

Outro tema do debate foi o programa Mais Médicos. Relatos dos participantes revelaram que alguns profissionais que atuam em áreas rurais – sobretudo médicos e médicas cubanos – vêm conseguindo reverter a lógica de medicalização e ampliar os trabalhos de prevenção e cuidado, desmontando a ideia de que acesso a saúde é simplesmente tratar as doenças. A reação corporativa – de profissionais médicos, da indústria farmacêutica e de setores ligados ao negócio da saúde – foi apontada como um desafio.

Na quinta-feira, 24, o Encontro Nacional de Formação e Capacitação sobre a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCFA): Uma contribuição camponesa discute dois temas: A realidade do campo brasileiro e os desafios da saúde e Desafios do MPA na construção e implementação da PNSIPCFA. À noite, o grupo irá participar do  lançamento do filme O Veneno Está na Mesa 2, que acontecerá as 19 horas no Museu Nacional em Brasília. O lançamento é aberto à população e faz parte das atividades organizadas pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.