A enfermeira Magda Fabiana do Amaral Pereira defendeu, no início de novembro, a dissertação de mestrado “Conflito socioambiental frente à implantação de perímetro irrigado na Chapada do Apodi/RN na perspectiva dos atingidos”. A dissertação é resultado do curso de mestrado do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Ceará. Foi escrita na área de concentração Produção, Ambiente e Saúde e teve como orientadora a Professora Raquel Maria Rigotto.

Acesse aqui a dissertação na íntegra:

CORPO Dissertação Magda MSP-ÚFC

CAPA Dissertação Magda MSP-ÚFC

Em breve, os textos estarão disponíveis na biblioteca do Observatório.

Saiba mais:

BANCA EXAMINADORA
Profª. Drª. Raquel Maria Rigotto (Orientadora)
Universidade Federal do Ceará – UFC

Prof. Dr. Fernando Ferreira Carneiro
Universidade de Brasília – UNB

Prof. Dr. Antônio George Lopes Paulino
Universidade Federal do Ceará – UFC

Prof. Dr. Francisco Ursino da Silva Neto
Universidade Federal do Ceará – UFC

BANCA POPULAR

Francisco Agnaldo de Oliveira Fernandes
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de Apodi/RN – STTR

Ivonilda de Sousa Oliveira
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi/RN – STTR

Francisco Edilson Neto
Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de Apodi/RN – STTR

 

RESUMO do trabalho

A Chapada do Apodi/RN vivencia a chamada “chegada do progresso”, através do Perímetro Irrigado Santa Cruz do Apodi, gerador de conflito socioambiental. A pesquisa teve como objetivo: descrever, na perspectiva dos atingidos, o conflito socioambiental decorrente da implantação de perímetro irrigado na Chapada do Apodi/RN. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com aproximações com a Saúde e as Ciências Sociais; aconteceu em Apodi/RN, com grupo de 11 agricultores familiares chapadenses (3 mulheres e 8 homens, média de idade de 36,5 anos e com escolaridade do ensino fundamental incompleto até o superior completo) e mais 2 membros do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi. Aconteceram 3 entrevistas semi-estruturadas e 3 encontros com roteiros norteadores, a partir da ecologia de saberes. As falas foram analisadas a partir das seguintes categorias: as influências na construção das concepções dos sujeitos sobre o conflito na Chapada potiguar; o passado sem o DNOCS; o presente com o DNOCS; o futuro que o DNOCS quer para o território chapadense; o futuro que os agricultores querem para eles. Na construção da concepção sobre o conflito na Chapada potiguar sobressaíram o Seminário Impactos do Agronegócio/Agrotóxico na Saúde do Trabalhador e no Ambiente e os intercâmbios no território do Baixo-Jaguaribe/CE e Baixo-Açu/RN. Quanto ao passado do território, as origens variam: algumas eram antigos latifúndios vendidos para o Governo Federal ou outros órgãos (como a Força Sindical, no caso de Palmares) para o programa de Reforma Agrária (assentamentos); há também as comunidades, originadas pela fixação de famílias em determinadas regiões (como em Quixabeirinha). Porém, nos mapas dos documentos do Estado sobre a Chapada/RN as comunidades e os assentamentos são invisibilizados e marginalizados a depender da necessidade de usufruto para o Perímetro o que gera difícil resistência ao projeto através de mobilizações e articulações com outras entidades. Para o futuro da Chapada potiguar, o DNOCS preconiza a implantação do Perímetro em questão enquanto os agricultores familiares almejam continuar com seu modo de vida recebendo incentivos estatais para seu fortalecimento. Concluímos que os territórios e a agricultura familiar não precisam e não aceitam esse modelo de modernização agrícola preconizado na Revolução Verde. O modelo requer um Estado que arque com a estrutura na Chapada para que as empresas possam ocupar, se instalar, produzir, lucrar e partir quando achar que é inviável continuar em Apodi. Porém, implanta políticas públicas que: não beneficiam a população; restringem o acesso à água; geram pressões (emocionais/psicológicas; a partir da falácia das benesses, políticas, sociais) nos chapadenses; inviabiliza a produção agrícola tradicional pela contaminação ambiental com agrotóxicos do agronegócio; geram empregos degradantes à saúde; desapropria os povos; investe mais de 200 milhões para fortalecer o agronegócio; provocam uma luta desigual reconhecida pelos agricultores familiares. Para se somar à resistência ao Perímetro, convidamos a Rede Brasileira de Justiça Ambiental (RBJA) e colocamos à disposição dos atingidos o presente documento. Reconhecemos o valor do território e que a pesquisa contribuiu para divulgação e fortalecimento da luta, quando se propõe a ouvir as falas e valorizar as demandas dos agricultores familiares.